A heráldica oficial da Freguesia de Vila de Punhe constitui a representação simbólica da sua identidade histórica, cultural e territorial. A sua composição segue as regras da heráldica autárquica portuguesa e foi aprovada pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, sendo posteriormente publicada em Diário da República.
Na sequência da elevação da povoação de Vila de Punhe à categoria de vila, a ordenação heráldica foi atualizada em 2026, mantendo-se inalterados os elementos simbólicos do brasão, da bandeira e do selo, passando apenas a coroa mural a apresentar quatro torres de prata, distintivas das vilas.

Escudo de prata, onde surgem três espigas de trigo de verde, cruzadas e atadas por uma fita de vermelho. Sobre as espigas dispõem-se duas picaretas de negro, realçadas a prata, colocadas em roquete. Na ponta do escudo figura um pano de muralha vermelho, ameado, aberto e lavrado de negro.
Encima o conjunto uma coroa mural de prata com quatro torres.
No listel branco lê-se, a negro: “VILA DE PUNHE”.

Esquartelada de vermelho e branco, cordões e borlas de prata e vermelho, haste e lança de ouro.
Nos termos da legislação aplicável às autarquias locais, o selo oficial apresenta a legenda:
«Junta de Freguesia de Vila de Punhe - Viana do Castelo»
A ordenação heráldica da Freguesia de Vila de Punhe foi inicialmente aprovada em 1999 e registada em 2002. Na sequência da elevação da povoação de Vila de Punhe à categoria de vila, foi objeto de atualização em 2026, mantendo-se inalterados os elementos simbólicos do brasão, da bandeira e do selo, alterando-se apenas a coroa mural de três para quatro torres.
A heráldica de Vila de Punhe reúne símbolos que evocam a história da freguesia, a sua evolução ao longo dos séculos e os elementos que mais contribuíram para a construção da sua identidade.
Cada elemento presente no brasão representa uma dimensão distinta da memória coletiva da comunidade.
O pano de muralha simboliza o Castro de Roques, um dos mais importantes vestígios arqueológicos da freguesia e considerado um dos primeiros núcleos de ocupação humana do território.
Evoca igualmente a antiga torre senhorial que, segundo a tradição histórica, terá desempenhado um papel relevante na reorganização do povoado durante o período da Reconquista.
A tradição local associa ainda este espaço à presença romana e ao processo de romanização do território, que marcou profundamente a organização agrícola e social da região.
É também deste contexto histórico que poderá ter origem a antiga villa agrícola que deu origem ao nome de Villa de Punia, designação documentada em fontes medievais e considerada a génese do atual topónimo Vila de Punhe.
As duas picaretas representam o solo granítico da freguesia e a forte tradição ligada à exploração da pedra.
Durante séculos, a atividade dos pedreiros e canteiros constituiu uma importante fonte de rendimento para numerosas famílias de Vila de Punhe, sendo a sua presença documentada desde, pelo menos, o século XVII.
Reconhecidos pela sua mestria, dedicação e qualidade do trabalho desenvolvido, estes profissionais deixaram a sua marca em inúmeras obras dentro e fora da região, tornando-se uma referência da identidade local.
As picaretas homenageiam simultaneamente a riqueza geológica do território e o trabalho daqueles que transformaram o granito num elemento distintivo da freguesia.
As três espigas de trigo representam a forte tradição agrícola de Vila de Punhe e recordam a importância que o cultivo dos cereais teve durante séculos na economia e na subsistência da população.
Segundo os antigos Censuais de Braga, a produção de trigo assumia um papel de grande relevância, constituindo uma das principais riquezas da freguesia.
As espigas estabelecem igualmente uma ligação simbólica à padroeira Santa Eulália, associada, na tradição cristã, ao chamado «trigo de Cristo», unindo a dimensão espiritual à vocação agrícola do território.
Representam ainda a fertilidade da terra, o trabalho das gerações que moldaram a paisagem agrícola e a continuidade da comunidade ao longo do tempo.
A heráldica de Vila de Punhe constitui uma representação simbólica da identidade da freguesia, reunindo elementos que evocam a sua origem, o património histórico, a tradição agrícola, o trabalho da pedra e a devoção à padroeira Santa Eulália.
O brasão, a bandeira e o selo sintetizam séculos de história, preservando a memória coletiva da comunidade e reforçando o sentimento de pertença ao território.
Mais do que um conjunto de símbolos oficiais, a heráldica representa o percurso histórico de Vila de Punhe e os valores que continuam a definir a sua identidade.
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