A representação heráldica oficial da Freguesia de Vila de Punhe foi aprovada pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses e consagrada em Diário da República. A sua composição segue as normas tradicionais da heráldica autárquica portuguesa.

Escudo de prata, onde surgem três espigas de trigo de verde, cruzadas e atadas por uma fita de vermelho. Sobre as espigas dispõem-se duas picaretas de negro, realçadas a prata, colocadas em roquete. Na ponta do escudo figura um pano de muralha vermelho, ameado, aberto e lavrado de negro.
Encima o conjunto uma coroa mural de prata com três torres.
No listel branco lê-se, a negro: “VILA DE PUNHE”.

Conforme os termos legais, apresenta a legenda:
“Junta de Freguesia de Vila de Punhe — Viana do Castelo”.
Parecer da Comissão de Heráldica: 19 de abril de 2002
Aprovação em Assembleia de Freguesia: 26 de junho de 1999
Publicação em Diário da República: 19 de agosto de 1999
Registo na DGAL: 8 de agosto de 2002, sob o n.º 204/2002
A heráldica de Vila de Punhe reúne símbolos que evocam a história local, o papel das suas comunidades e os elementos naturais e culturais que marcaram a freguesia ao longo dos séculos.
O pano de muralha recorda o Castro de Roques, considerado um dos pontos de origem da freguesia. Evoca igualmente a antiga torre senhorial que terá reunificado o povoado no período da reconquista peninsular.
Segundo a tradição e algumas referências históricas, apesar da robustez das defesas, o castro não resistiu ao avanço das legiões romanas. A partir do ano 137 a.C., as populações locais foram-se adaptando à presença romana, que introduziu novas formas de organização agrícola.
É também deste período que surge a referência à Villa agrícola que daria origem ao nome de Vila de Punhe. Posteriormente fracionado por invasores germânicos, o território recuperou a sua extensão original já no século VIII.
As duas picaretas aludem ao solo granítico da freguesia e às pedreiras que durante séculos foram sustento de muitas famílias. São também uma homenagem ao trabalho dos pedreiros e canteiros de Vila de Punhe, cuja presença é documentada desde pelo menos o século XVII.
Estes homens deixaram obra em toda a região e em muitas outras zonas do país, reconhecidos pela competência, resistência e dedicação ao ofício. As picaretas celebram tanto o material — o granito — como os que lhe deram forma.
As espigas, unidas por uma fita vermelha, representam a dimensão agrícola da freguesia. De acordo com os “Censuais de Braga”, o cultivo do trigo foi, durante séculos, uma base essencial da alimentação e da economia local.
As espigas evocam também a padroeira Santa Eulália, que desde os séculos IX–X é referência espiritual da comunidade. A simbologia associa Santa Eulália ao “trigo de Cristo”, unindo a tradição religiosa às raízes agrícolas da freguesia.
A ligação entre o verde das espigas e o vermelho da fita sugere o equilíbrio entre:
o esforço e o sacrifício de quem lavrou a terra,
a esperança e a confiança colocadas no futuro,
e o testemunho da fé, marcado pelo martírio da padroeira.
A heráldica de Vila de Punhe é uma representação fiel da sua história: evoca o povoado antigo, a presença romana, o trabalho árduo ligado à pedra e à agricultura, e a identidade religiosa associada à padroeira. Cada símbolo remete para uma parte importante do percurso coletivo da freguesia, reforçando o sentimento de pertença e a ligação às origens.
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